
Chego tarde, a noite já caiu, e nesta fria noite na terra da garoa, ponho-me sentado, diante desta máquina. Sozinho não estou, acompanhado de Tchaikovsky, em sua Nº6 sinfonia, a Patetique, vou ouvindo-o compor os ciclos da vida, desde o primeiro sopro, ao último...
Corro a mão ao teclado e logo sinto meu tema brotar.
Reflections in blue, que não sai da cabeça. Insisto em fazer a minha mente em tons de azul. O tempo todo sou eu vendo cores suave, leves como a brisa.
Enquanto os sinos crescem em todas as torres da sala com Tchaikovsky, vou eu penetrando em pensamentos, minhas reflexões em tons de azul.
A paz profunda que mistura-se com a forte saudade que sinto no peito, me lembram de segundos mais próximos de ti que estive. Hoje, são outros segundos mais próximos a você que estou. Mas a mesma dor de saudade que misturou-se à paz em outro momento, me dói agora.
Não sei nem porque chamo de dor, por que dor, nem é.
É sentimento preso dentro. Uma sensação boa, de conforto, de prazer misturado. Um sentimento único, sem duvida.
Sentimento pintado em tons de azul, que passeiam livres, até onde minha imaginação os levar, pintando sentimentos, representados em tons de azul.
Escrito por Jorge Neto às 19h34